Minha Frase preferida desde o mes de julho de 2013

"A felicidade de um amigo deleita-nos. Enriquece-nos. Não nos tira nada. Caso a amizade sofra com isso, é porque (ela a amizade) não existe." Jean Cocteau

Seres Espelhados Espalhando Sonhos e Delírios como eu

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

É... Ela se Foi no mesmo Mês que Veio: Gotas

Gotas

Palavras são
Gotas
De bálsamo bendito
Calmante para  Almas
Prontas para 
O elevo
Palavras são
Gotas
De encantamento
Como música
Suave 
Plenos de pura
Magia em
Gotas
Apenas
 Gotas
CatiahoAlc/Reflexo dAlma




A vida é desse jeito...
Essa não seria a primeira vez que minha mãe faria isso: viajar escondido da família, quando víamos, ela já estava longe. Seis meses antes, já tentara e fora parada por um infarto. Mas sendo minha mãe como era: normal... Assim ela aguardou até o momento que achasse estarmos todos bem ocupados, morando em um bairro longe do meu, ficou fácil nos enrolar a todos. Pois bem; sendo assim ela resolveu ir visitar a ex nora sem avisar a ninguém, arquitetou que sairia de  Niterói e iria a Teresópolis de ônibus, avisou apenas para uma amiga da nossa família e pediu segredo. A moça a amava e respeitava e a atendeu.
Minha Mãe Dona Maria Dolores, aguardou meus irmãos Henrique e Claudia saírem de casa para trabalhar com meu esposo e filhos em um shopping na Barra/RJ. Eu, estaria de plantão na Escola de Arte que funcionava em nossa casa,  era um sábado, dia de escola em pleno funcionamento, portanto: escola cheia com turmas de teatro das nove até as dezoito horas.  As dez horas da manhã, toca o telefone e minha ex cunhada de Teresópolis avisa  ter minha Mãe sofrido uma queda, estar internada em estado grave e em cirurgia por ter  sofrido um traumatismo craniano. Foi um choque! Imediatamente liguei para meu esposo, ele avisou aos meus irmãos e todos rumaram de volta a SG. No domingo todos separadamente de ônibus nos encaminhamos para Teresópolis. Minha querida Mãe em coma  nos fazia aguardar as tais 72 horas pós cirurgia. Tive autorização para visitá-la nesse pós cirurgia. Confesso foi o início de uma experiencia cruel: ela estava com a cabeça raspada, toda costurada e Eu tive a certeza naquela UTI que ela já não estava mais conosco... Meu irmão Rogério entrou depois que eu saí e aproveitei para conversar com os médicos e perguntar se iam desligar os aparelhos, afirmaram que não tinham esse poder. Não acreditei, e me conformei com essa não verdade. Voltei para Niterói para aguardar as tais 72 horas que foram fatais e logo eu voltei a Serra para agora preparar o corpo da Minha querida para ser enterrada lá mesmo em Teresópolis onde ela tinha raízes; onde meu primeiro irmão mais velho que eu e meu pai foram enterrados (ele ainda bebê e meu pai precocemente aos 50 anos).
Meus irmãos e irmãs não tiveram coragem de se apresentarem para cuidar e vestir a nossa mãe, por respeito, pois jamais havíamos visto nossa mãe nua. Coube a Mim e ao Al a árdua tarefa de vê-la sobre a pedra. Ela tinha o semblante sereno, porém o corpo cheio de marcas e nós muitas perguntas que nunca tiveram ou teriam respostas. Depois das partes praticas se juntou a mim minha irmã Regina para levar o corpo já vestido a funerária para ser devidamente preparado com flores para o funeral. Foram momentos muito ruins e de muita e de tristeza, minha família estava em guerra: de um lado meu irmão ao lado da ex mulher, a única testemunha do momento que minha mãe sofrera a queda, do outro lado eu e um irmãos e minhas 3 irmãs, ela era só lagrimas. Confesso que essa foi a noite mais longa e mais dolorosa de toda minha vida. O enterro seria ao meio dia, as nove horas chegaram o irmão, as irmãs e os sobrinhos e sobrinhas de minha mãe, moradores de Queluz e de Volta Redonda. A cada momento o sofrimento parecia aumentar e a dor se tornava cada vez mais intolerável. Nesses momentos sou muito forte, aguento bem mais que a maioria das pessoas, detesto escândalos porém Eu me sentia enfraquecendo e percebia que a qualquer momento desabaria e me juntaria aos desesperados da família que eram muitos, uma irmã estava internada, pois entrara em choque durante a noite.
Minhas pernas tremiam, meus pés gelavam e meu peito parecia estar pronto para explodir.
Foi nesse momento, lá pelas quase dez horas que uma van parou bem em frente a capela, de dentro saíram pessoas que Eu amava e que  sabia ser amada por elas: eu, meu esposo e meus irmãos.
Era a providência divina trazendo reforços, ao invés de anjos, ela enviara pessoas.
Desse momento em diante eu me acalmei e pude me despedir devidamente de minha mãe.
Essa história me vem a mente exatamente quando retorno a  poder frequentar as aulas de yoga, no mesmo lugar que frequento as aulas de zumba,  ao mesmo tempo leio o livro O Monge e o Executivo
desde o ultimo sábado. Esses dois elementos me são esse tal reforço em um tempo de muito trabalho e de muitas mudanças. A yoga poque ela me acalma de dentro pra fora e cuidando de minha respiração me ajuda a reparar os danos que a queda me trouxe e que me acompanharão  por muito tempo em forma de sequelas. E a Leitura do o livro O Monge e o Executivo porque me reforça ideias e me confirma o modo como  vivo, como vejo e trato as pessoas e o ainda realça meu tratar e meu relacionamento com as pessoas que amo.
Nunca soubemos porque ou como minha Mãe caiu ou mesmo porque seu corpo tinha tantos hematomas, se ela saíra de casa sem elas. O que eu sei foi que seis meses antes, na véspera de carnaval ela tentara fazer a mesma viagem e infartou no bairro do Alcântara/SG, minutos antes de embarcar no ônibus para Teresópolis. A diferença é que Eu e o Al sabíamos que ela esta indo e encontrarão o nosso numero de telefone como ela e logo nos ligaram de um Pronto Socorro e assim pudemos agir e cuidar dela. Para mim foi a oportunidade de por seis meses viver tudo que não pude viver ao lado dela desde minha infância. Mesmo ela quieta como era eu a visitava mais, meus filhos desfrutaram muito mais da convivência com a avô. Como ela era orgulhosa e não aceitava ajuda, dei um jeito de contrata-la para ser costureira da nossa Cia de Teatro, mesmo sem ela costurar, meu argumento era que logo, logo ela costuraria para o Espetáculo O Judas em Sábado de Aleluia.
E fui trabalhar em uma escola para com alegria poder dar a ela o "salário de costureira" todos os meses de fevereiro a setembro. Ela faleceu depois do meio do mês de setembro.
Tive todos os sentimentos enquanto a velava, menos o sentimento de remorso. Pois fiz tudo ao meu alcance nesses seis meses para estar ao lado dela de forma integral. O livro O Monge e o Executivo apresenta muitas verdades, porém em especial diz algo muito interessante sobre amor: "O Amor é o que o Amor Faz". E ainda  "Amar  é nosso comportamento para Com o Outro."
E naqueles seis meses eu pude conviver em Amor com  a minha Mãe, que até então tinha sido uma quase desconhecida para mim, mesmo tendo me gerado, me parido, me alimentado, me cuidado, me criado e me  casado. Essa oportunidade de me empenhar e de me entregar a conhecê-la melhor me fez muito bem. Nesse tempo de seis meses ela não mudou nada. Ela que nunca fora afetuosa, não se tornou afetuosa, não me abraçou, não me fez cafuné, nem me deixou deitar em seu colo. Mas eu pode ser afetuosa com ela, eu a abracei, eu tentei fazer cafuné e tentei muitas vezes puxá-la para meu colo. Não me entristeci porque ela não cedeu, mas guardei em mim não ter sido eu a não ceder. Minha mãe continuou sendo quem ela sempre foi. Até uns anos passados eu repetia não ter siso minha mãe feliz, pois eu não tenho muitas lembranças de uma mulher alegre, mas sim triste e associei ao fato de não lembrar-me dela sorrindo, gargalhando. Porém meu Mestre na Escrita certa vez ao ler um texto meu em meu blog fez o seguinte comentário : "Minha jovem você não pode afirmar sua mãe não ter sido feliz, certamente ela foi feliz do jeito dela."
Anos mais tarde, Eu refletindo sobre o assunto entendi claramente o que Ele tentou me dizer na época. Não é que Ele estava certo? Fui rever fotos onde ela nadava, saltava como uma criança e Eu nem havia percebido...
Por tudo isso QueridosAmigosLeitores, é que não desperdiço tempo sem dizer em todas as oportunidades que tenho e em todas circunstâncias aos que Amo o quanto Eu os Amo exatamente como São e não preciso que mudem para terem meu amor e respeito.
Não sou perfeita e isso é que Me faz um ser humano, porém o mais interessante é que não espero perfeição de ninguém, muito menos Dos que Amo.
Minha Mãe, não se tornou um modelo de mulher ou de mãe, mas ela É e sempre Será a Minha Mãe, a pessoa que me fez, gerou, concebeu, me amamentou, me cuidou e me criou.
Mês que vem é setembro, amo o mês de setembro desde sempre, porém é mês de aniversario de duas viagens Dela ( Minha Mãe): nascimento e de morte.
Refletindo enquanto leio esse maravilhoso livro eu tenho cada vez mais certeza de que precisamos aproveitar muito bem nosso tempo aqui nessa terra e precisamos deixar de exigir tanto de nós ou dos outros. Pois o importante é estarmos em paz de dentro para fora, como Eu Faz tempo tenho Todos os dias a Dádiva desse Exercício em meu Viver.
Por isso eu digo e repito: É... Ela se Foi no mesmo Mês que Veio.
Catiaho Alc.

7 comentários:

  1. Lindo texto Catiaho!
    Lembrei de minha mãe que também veio e se foi no mesmo mês,com diferença apenas de
    dois dias-Nasc-21/01-falecimento-23/01.
    Bjs-Carmen Lúcia.

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    1. Pois é Carmen,
      marcas da vida
      da gente. Daqui a pouco
      vou la no seu blog.
      Bjins
      Catiaho Alc.

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  2. Comovente história de afeto e de vida... Marcas definitivas em nossas vidas.
    Abraço.

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  3. Como muito carinho estou passando
    para deixar meu carinho ,
    também desejar um abençoado e feliz final de semana.
    Peço perdão pela minha ausência ,
    acredite não foi por falta de amor,
    mas para tratar de mim mesma .
    Deus esta comigo .. contigo ..e com todos q nele crê...
    Te carinho com um doce e afetuoso abraço.
    Que , Deus cuide de você dando sempre
    saúde pois sem ela nada somos nada seremos.
    Um beijo carinhoso.
    Evanir.

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  4. Olá Catia
    Que mãe danada que voce tinha, ela queria sempre ser independente e não precisar de ninguém, e achava que podia viajar sozinha, tenho pais assim também, e em alguns relatos que voce dá se assemelham e muito.
    Bjs, sinto sua perda.

    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  5. Tanto que me disse e emocionou a sua partilha Catia...perdi meu pai numa queda faz pouco mais de um ano...ficam para sempre no nosso coração..a saudade não passa nunca...a vida essa teimosa continua...apesar de nós...e sim o importante é estarmos em harmonia e paz no interiro e no nosso relacionamento com os outros...estou de volta ao meu cantinhoa amiga!!! Beijos e uma boa semana!

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Que bom que veio, fique a vontade o quanto desejar.
Se apenas leem eu gosto. Mas se comentam eu adoro!
Volte sempre para o abraço entre sonhos e delírios
Catiaho Alc/Reflexo dAlma
http://reflexodalma.blogspot.com/
http://reflexosespelhandoespalhandoamigos.blogspot.com/
,

Venho aqui e Olho pro amanhã dessa forma: com ALEGRIA!

Venho aqui e Olho pro amanhã dessa forma: com ALEGRIA!
Já caminhei muito tempo sem me dar conta do quanto é importante o que eu sei, quero e posso. Passei muio tempo dando prioridade a todos ao meu redor. Daqui pra frente meu olhar obedece a uma nova perspectiva, pois minha palavra de ordem é ALEGRIA.Não quero e não vou viver mais um segundo sem esse ingrediente essencial.. Experimentem e depois de contem o resultado. CatiahoAlc, terça feira 05 de janeiro de 2015

Eu sempre entre meus sonhos realizados e meus delírios incessantes...

Eu sempre entre meus sonhos realizados e meus delírios incessantes...