Ele era alto e forte, bonito, sensual. Bateu atrás de si a
porta do banheiro e se perdeu em um bloco que passava.
Outros rapazes, senhores casados, solteiros, sozinhos e
Outros rapazes, senhores casados, solteiros, sozinhos e
acompanhados sambavam felizes enquanto o trio
elétrico vazava pela praça da Igreja calando os blocos.
Tambores marcavam o ritmo, mas ela tinha o seu; era
eloquente, suave, inebriante como o voar das gaivotas.
O som parecia distante como um papel de parede ou a
trilha sonora de um carnaval que mexeu com a libido do
seu corpo e entorpeceu a sua alma. Suave como as águas
calmas de um riacho ela seguia o vibrante, mas distante,
som que eletrificava o povo e marcava nela o carnaval
que ainda fervia em suas veias como o aroma do gozo
roubado por quem não tinha cara, e nome muito menos,
mas tinha pegada, altura e beleza, cheiro e sabor como
provam a sua peça de roupas mais íntima deixada nem
banheiro químico e os seu crespos pêlos, ainda, arrepiados
e molhados do amor que ela viveu.
silvioafonso.


