O assédio se deu faz tempo. Nunca, em tempo algum, um homem se viu tão pressionado por uma mulher como aconteceu com aquele moço; boa estatura, bem falante e boas maneiras. O assédio em questão não tinha o propósito dos amantes, mas de escrever aonde a tal mulher achasse que devesse. Sempre que o encontro literário se fazia uma bandeja repleta de vantagem a eles se estendia, não só para os dois, como também para o mundo das letras a que ela pertencia. A palavra Não, talvez fosse dele o último balbucio, mas quem sabe ele sofresse mais que ela se ouvisse. Foi como água gotejante que do gelo a camada se desfez. Caiu no mar. Encobriu as praias. Fez sofrer e fez chorar. Matou quem tinha vida e os sonhos que surgiam, mas não cedeu aos caprichos de quem torcia contra. Digna e perene escreveu no rodapé da vida o nome dela, mesmo que sob o dele, mas com a força da fêmea que protege a cria e com a doçura do beijo dos colibris.
Hoje ele escreve o que ela quer e aonde ela acha que precisa, e ao sabor das palavras ela se realiza com os espaços que conquista, mas não se envaidece com o próprio poder que persuade, faz gritar e faz calar.
Hoje ele escreve o que ela quer e aonde ela acha que precisa, e ao sabor das palavras ela se realiza com os espaços que conquista, mas não se envaidece com o próprio poder que persuade, faz gritar e faz calar.
silvioafonso
