Lúgubre

 
 
O que era belo hoje só causa medo
Que no teu canto preludiou o grito,
Partem-se crânios contra este rochedo
Pululam vermes em tremendo rito.

Movem-se ainda as mãos no arremedo
Do que da boca não vai mais ser dito,
Do vivo ao morto já não há segredo
Terror que espalha-se no céu aflito.

Essa lembrança em célere teatro
Num barco podre que afundou no cais
É o que me resta, mais sinistro e atro,

Horrenda chaga a esgravatar demais...
Então rastejo e vejo o magro espectro
Do velho corvo a repetir - Não mais!


Francisco Settineri.

Comentários

Gisa disse…
"Não mais..."
Às vezes tem que ser assim.
Um bj
Fabuloso.Soberbo

Bom Domingo
Olá!
Um belo soneto, cheio de garra!!!
Um abraço.
M. Emília
Samuel Balbinot disse…
Boa tarde Francisco... lindo soneto
parei de escrever sobre estes temas mais carregados mas te confesso que adorava ver tudo e extrair tudo que podia deste meio envolto de tristezas e medos lindo dia