MEU PAI... / e Aos Pais
Lembro-me, como se fosse agora, do meu pai deitado com o rosto enfiado nos travesseiros. Feliz como qualquer menino nos braços daquele que o ama e protege, me atirei sobre ele sorrindo por vê-lo tão próximo dos meus olhos e das minhas palavras esperando para brincar comigo. – Papai, papaizinho. Que bom que você vai ficar hoje, comigo. Vamos brincar? – Perguntei, mas ele não respondeu. Não sem limpar o “cisco” que, diz ele, caiu-lhe nos olhos. Papai pôs-se de pé e sorrindo tomou-me nos braços fazendo comigo o que faço com Bidu, o gatinho que ele me deu quando fiz 5 anos. Que força tinha aquele gigante para, sabe-se lá que dor sentia naquele dia, conseguir se levantar e esfregando a cara com a manga da camisa, correu comigo pelo quintal. Foi o melhor dia da minha vida. Quando papai saía pra trabalhar eu ficava dormindo e quando voltava, já tarde da noite, eu já tinha apagado, como falo pros meus. ...