DE TERÇA GORDA À QUARTA DE CINZAS
Os foliões deixavam o Sambódromo onde a Portela retumbava os últimos acordes do samba de enredo e a Sapucaí bocejava de sono. Sozinha com o calçado na mão uma jovem, fugitiva de um amor mal resolvido no sertão nordestino, entendia que no momento não só o carnaval chegara ao fim, mas a esperança que tinha de encontrar alguém com quem desabafasse, falasse de sua vida e, quem sabe, se identificasse com ela. Os tamborins sentiam no couro ainda o tocar das varetas quando ele apareceu não se sabe de que planeta, para, em ritmo de festa, cruzar seu caminho. Sambava na ponta dos pés ao seu redor o rapaz como se fora Carlinhos de Jesus, o senhor de todos os carnavais. Depois de giros, cruzadas de pernas e de braço sem perder o compasso, "Carlinhos", o rei dos salões, se dobrou sobre um joelho, olhou nos olhos dela com um bonito e grande sorriso e na mão dela, que antes havia beijado, deixou a flor que trazia presa ao chapéu. E ela, sem saber como se portar diante do dis...