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Segundas com silvioafonso em:

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ASSIM VOCÊ ME MATA...      No verso e no reverso de um lindo gingar de corpo ela enfeitiçava as mulheres e a pecar obrigava os moços.  Foi com cheiro de rosas deixado  num rastro de pétalas coloridas que passou por ele e no seu desfile olhou-o por sobre o ombro no fundo. No fundo castanho dos olhos dele.   Olhar que, como um corisco que rasga os céus em noite de chuva, riscou-lhe a alma num arrepio de amor e desejo. Mais um que na armadilha do seu corpo se prende por mais que se debata.  Tornou-se, desde então, um felizardo prisioneiro. Apaixonado escravo no porão da criatura que faz da sua escrita uma esparrela e do sorriso um cativeiro. Eu mesmo, por mais que me esforce gritando, é para surdos que eu me faço ouvir.  Eu quero a liberdade que escapou ao meu controle. Eu preciso voltar a sorrir, a cantar,  mas se o impossível acontecer, para que viver sem o teu cheiro, sem poder admirar o teu corpo inteiro, sem a lágrima...

Segundas no Espelhando com silvioafonso

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VERDE DE FELICIDADE. VERDE DE FELICIDADE. Menos de sessenta metros quadrados tem o meu coração. Cinquenta, quarenta, talvez trinta metros, mas tamanho suficiente para oito pessoas viverem uma vida inteira num espaço de três curtíssimos dias. Um reservado para emergências e fora dele uma fila inteira de sorrisos pacientes. Uma sala e uma cozinha transformadas em leito aonde sonhos, quem sabe lindos, puderam ser sonhados. Pesadelos poderiam ter rondado o pequeno Arcanjo, mas não tão forte que o acordassem, que o removessem do seu mundo aonde o pega-pega, o pular de corda e o jogo de bola são tão comuns. Em um retângulo de três por dois uma cama e nela uma donzela, que como ela, só um anjo de dez anos para comparar e se não bastasse no arquivo morto o pulsar da juventude para compensar quem muito já viveu, mas não uma vida tão bonita como agora e que dentre os oito, foi quem mais se comoveu. segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
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SALA DE TV... O motor rasgava as águas num gemido rouco. Avançava na intenção da praia batendo as ondas na imensidão do mar. Buscava,  através dos caminhos que antes navegara na constituição de uma vida regrada, a conquistas e poucos amores uma lembrança esquecida no passado. Horas a fio exposto ao sol pintando o corpo de dourado. Onda entortando a proa aspergindo água salgada na cara, temperando a pele. Vontade de ver, de olhar de novo. Saudade do toque, do arrepio, do abraço sem jeito, do beijo molhado, da falta de vergonha e do respeito. Do sorriso escachado, das safadezas no leito. Duas horas sem escutar o canto das gaivotas. Só o roncar do motor se podia ouvir.Apeou do barco para estancar os passos na chegada ao jardim. Muito perto da casa, antes caiada, hoje sem cor, muitas flores brancas marginavam o caminho, e na entrada, uma leva de rosas amarelas. Borboletas que mais pareciam pintadas numa tela, verdadeiras aquarelas, voavam numa rota estranha em torno ...
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DENTE DE SABRE. DENTE DE SABRE. Eu tentei a prevenção para não ter a surpresa que tenho agora. Fui ao dentista, troquei de profissional, paguei o que me pediram sem discutir preço e, no entanto estou assim, triste, constrangido. Caso eu não tivesse feito nada, se tivesse ficado aqui sentado a espera que a natureza corrigisse o que ela mesma destruiu, talvez eu não ligasse tanto, mas fiz o que qualquer um faria no meu lugar. Pena é que os profissionais que eu encontrei nesta cidade não tiveram a mesma sorte que eu precisava quando a eles o problema foi apresentado. Agora resta-me o silêncio. Calar é o que me basta e mesmo que insistam, através das palavras, hoje eu não me expressarei. Todos os dentistas estão de férias, só um protético restou para me socorrer até que a vida retorne ao normal, isso se o bumbo não anunciar antes o carnaval. sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 07/01/13 10:00