O PASSARINHO E O GAVIÃO. Foi difícil acreditar que perder uma pessoa, como Frances perdeu o pai, doesse tanto como ainda dói, segundo me diz. Sofreu muito naquele dia o pobre do rapaz e ainda sofre quando lembra do seu velho. Foi duro ver aquela gente chorando na capela por causa dele. A maioria era de amigos e o resto admiradores. Papai foi importante não só na minha vida, mas na vida de todos que conviveram com ele – disse Frances enxugando os olhos. Não me lembro de nada que falaram ou de alguém além de Solange, minha amiga de infância, chegando para me contar o que, certamente, todos já tinham falado e eu não os ouvia, sim, dela eu me lembro e muito – concluiu dando um tapa na próprias pernas e saindo para respirar. Quando me abraçou eu percebi que ela, com 17 anos, ainda tinha o cheiro da puberdade. Eu tinha 24 e me sentia tão garoto quanto ela. –...