QUANTO TEMPO O TEMPO TEM?
Ah, o tempo, senhor de todos os desejos. Rei de castelo sem rainha, príncipe e princesa. Tempo quente, de roupa curta e caminhos longos, de vida breve e morte eterna. Tempo de amar, de querer sem poder. De ser sincero e sofrer com a própria verdade, mas se eu, no entanto mentisse, tudo seria diferente. O sol teria a única finalidade de lamber o sal daqueles que vão à praia e esporadicamente brilhar nos domingos pela manhã. Ah, quanto tempo me resta, agora? De quanto tempo, talvez, eu precisasse para dar vida aos meus sonhos, voar como as borboletas por entre as flores e com João de Barro construir, no alto de um frondoso ipê, a mais bela moradia para então morrer contando as horas de um tempo lindo que vivi entre a certeza da dúvida e a incerteza do talvez. Quanto tempo, volto a perguntar, eu teria para sonhar com um tempo que não passasse? Para pensar que a verdade faz mal e que a hipócrita mentira não é...