Em Meio
Era meio da tarde, casa cheia, crianças correndo de um lado para o outro. As mulheres conversavam despreocupadamente enquanto os homens fumavam e se entregavam as suas bebidas preferidas. Por fora tudo era pudor e vigilância. Dentre as mulheres uma, a mais falante as vezes parava e deixava escapar um riso de canto de boca que era acompanhado de um brilho no olhar. As demais percebiam, mas caladas, é certo que a vida dariam, não para saber porque assim agia, mas para sentirem-se da mesma forma. Apesar de falante, era a menos vistosa, vestia-se com simplicidade, mas sabia viver e fazer de cada momento um universo de sensações. Na verdade nessa tarde em especial, enquanto com as demais falava de cabelos, cremes e receitas, no intimo rememorava a amor que escondia, o fogo que entre as pernas ardia. Sorria pois satisfeita exatamente como as outras se parecia. Porém em pecado a alma já no inferno ardia. Sorria porque o ser humano t...