Série Passando a Limpo Fases&Situações ConVersando - ConTexto com silvioafonso A URNA, EU E O PRESIDENTE - Com Canções

 

ConVersa sobre Eleição e outros acontecimentos recente

Eu não tenho incentivo ou vontade de pensar, falar e muito menos escrever sobre o assunto atual. Não é que eu não me importo, porque me importo. Nessa segunda feira conversando com  meu amigo mais que irmão silvioafonso, ele me mostrou o texto abaixo e nele me vejo representada.                                          Boa leitura.                                                    CatiahôAlc.
Com CanÇão
Sujeito de Sorte





A URNA, EU E O PRESIDENTE.

A velhice chega, o corpo perde o vigor, as pernas já não respondem como antes e até as coisas mais simples passam a exigir um esforço maior. Mas há algo que o tempo não deveria tirar de ninguém: a liberdade de escolher os próprios caminhos. Posso sentir o peso dos anos, mas não perdi a vontade de decidir o meu destino. E, enquanto eu conseguir me levantar e caminhar com minhas próprias pernas, quero continuar fazendo valer a minha voz. No dia da eleição, saí de casa debaixo de chuva, encarei o transporte lotado e, quando finalmente cheguei ao local de votação, descobri que a urna não estava funcionando. Lá fui eu esperar pela troca do equipamento, olhando o relógio e pensando comigo mesmo: será que votar ficou mais difícil ou sou eu que estou ficando velho?                  Esperei. Afinal, estava ali por vontade própria. Ninguém me obrigou, ninguém precisou me convencer. E foi enquanto aguardava que me veio à cabeça uma frase que resume muito do que penso sobre a vida: “Enquanto eu conseguir me levantar, ninguém escolhe quem vai me governar!” Pode parecer teimosia, coisa de velho que não abre mão das próprias convicções. Talvez seja um pouco disso mesmo.                   Mas, depois de tantos anos vendo promessas nascerem, crescerem e desaparecerem,  aprendi que não devemos entregar a ninguém  o direito de pensar e escolher por nós.  Finalmente, votei. Voltei para casa com a sensação de dever cumprido e uma pergunta  na cabeça: será que os eleitos têm a mesma disposição para trabalhar que o eleitor tem  para sair de casa e votar neles? Durante a campanha, não falta candidato prometendo resolver tudo. É emprego, saúde, educação, segurança e um futuro melhor. Parece que, no dia seguinte à posse, o Brasil   vai acordar de roupa nova, sem problemas e com as contas pagas.  Só que a vida real não funciona assim.     O supermercado continua caro, o ônibus continua cheio e as dificuldades não desaparecem com o resultado das urnas.       Mas não quero estragar a festa de quem venceu. Cada eleitor tem suas razões, e quem ganhou tem o direito de comemorar.  Quem perdeu precisa aceitar o resultado, respirar fundo e seguir em frente. O que não faz sentido é romper amizades e transformar parentes em inimigos por causa de políticos que, muitas vezes, depois da eleição, acabam se entendendo muito melhor do que nós, eleitores, conseguimos nos entender.      
Agora, chega de campanha! 
O presidente foi escolhido, e o que se espera dele é trabalho. Que governe para todos, inclusive para quem não votou nele. 
E que nós não nos esqueçamos de que votar é apenas o começo da nossa responsabilidade. Depois vêm a fiscalização, a cobrança e a disposição de exigir que as promessas se transformem em resultados. Quanto a mim, não sei quantas eleições ainda terei pela frente. A vida não oferece garantias, mas me ensinou que envelhecer não significa desistir de participar, de opinar ou de fazer escolhas.           
Naquele dia, voltei para casa cansado, é verdade. Mas havia algo que compensava todo aquele esforço: a certeza de que, apesar das dificuldades, eu não tinha aberto mão de um direito que é meu.                         
E, se alguém me perguntar por que tanto sacrifício para apertar um botão, respondo sem precisar fazer discurso: Porque o presidente pode até não saber quem sou eu, mas sou eu quem tem o direito de escolher quem será ele.   E, enquanto eu conseguir me levantar, 
ninguém escolherá por mim.                         
É isso, Brasil!                                           
O tempo passa, o corpo reclama, os governos mudam. Mas a vontade de participar, de escolher e de fazer valer a própria voz não precisa envelhecer junto com a gente.                                                     -silvioafonso-
                   Com CanÇão



Comentários

Mas que bela homenagem, minha amiga! Obrigado.